Era uma tarde fria de quarta-feira em Nova York. A figura de um homem alto e bem agasalhado descia de um táxi. Nervoso e impaciente, ele pagou o taxista e lhe deixou uma boa gorjeta. Até parecia que não ligava mais para o dinheiro. O homem adentrou um prédio com pressa e não pôde deixar de ser notado pelos colegas de trabalho.
Em um dos cubículos do jornal, dois homens estavam de pé, conversando. Comentavam sobre as secretárias novas enquanto observavam o escritório. Nesse momento, o homem alto, de casaco, entrou agitado no escritório. Ignorou os olhares alheios e foi direto para sua mesa.
— Olha a hora que o Leonard está chegando. Está para nascer um jornalista com mais regalias do que ele — falou Joel, um repórter que fazia comentários na televisão e o protagonista dessa história.
— É verdade, mas pelo menos as informações que Leonard consegue são boas. Sua sorte é que ele não gosta de câmeras, senão você perderia seu lugar no programa — disse Paul, amigo do nosso protagonista.
— Você quer dizer, sorte a nossa! Eu nem sequer teria conseguido a vaga, e você nem emprego teria — Joel tomou o último gole do seu café. — E eu vou nessa, o programa já vai começar.
Joel se dirigiu ao estúdio onde o programa entraria ao vivo. Sentou-se à sua mesa e foi revisar as notícias que daria. Achou estranho que não havia nenhuma ali. "Um dia sem notícias? O mundo não pode ter ficado tão tedioso assim...", ele pensou. Joel olhou ao redor para encontrar o diretor e, quando o avistou, viu que ele recebia alguns papéis de Leonard. Este cochichou algo no ouvido do diretor, que assentiu com a cabeça.
— Joel, vem aqui! — gritou o diretor, enquanto Leonard se retirava, sumindo no meio da produção.
— Sim, senhor.
— Essas serão as notícias que você vai ler hoje. Vamos rodar no teleprompter na sua deixa.
Joel esticou a mão para pegar os papéis, mas foi impedido.
— Hoje vamos testar algo novo. Não quero que você saiba o que vai ler. Quero que o público tenha a sua reação mais autêntica.
— Claro, mas como eu vou preparar os comentários e... — Joel não conseguiu discutir.
— Agora sente-se, já vamos entrar no ar.
Joel se sentou, ansioso e nervoso. Essa abordagem seria nova no programa. Nada pôde fazer além de olhar ao redor e esperar sua vez. Notou vários homens de terno escuro entrando no estúdio e trancando as portas. Isso era incomum, mas talvez fosse alguma novidade que o programa testaria mais tarde.
O programa entrou ao vivo. Os âncoras fizeram a abertura e, não demorou, chegou a vez de Joel.
— Boa noite! — Joel começou a ler a primeira notícia. — Trânsito intenso na cidade. Alguns buracos foram abertos no meio da cidade e muitas ruas estão congestionadas. A previsão é que, em uma semana, tudo acabe.
Joel recebeu a pausa para inserir seus comentários.
— Avisem seus chefes e colegas de trabalho. Algumas pessoas vão chegar bem atrasadas.
Ele riu consigo mesmo. Enquanto isso, a próxima notícia começou a subir no teleprompter.
— Aumento de temperatura hoje à noite. Especialistas afirmam que a cidade pegará fogo.
A luz da câmera apagou, dando a deixa para Joel olhar para a segunda câmera e fazer seu comentário.
— Calor em Nova York? Isso a gente devia comemorar.
As luzes das câmeras trocaram e a próxima notícia apareceu no teleprompter.
— Invasão alienígena: os humanos que não se renderem encontrarão seu fim.
Nova troca de câmeras. Joel não entendeu nada e teve que improvisar seu comentário.
— Isso deve ser algum roteiro de filme ou de livro que esqueceram de me contar.
Ao trocar de câmera mais uma vez, Joel percebeu ao fundo que os homens de terno agora se aproximavam. O diretor sorria e, como se tivesse colocado óculos, seus olhos brilhavam. Joel ficou confuso, mas continuou a ler.
— Cidadãos de Nova York, isso é uma invasão real. Não resistam e não sofrerão. Qualquer tentativa de resistência será inútil e em vão. Boa noite.
Joel leu a notícia e seu rosto ficou pálido. Ele não sabia o que sentir e não conseguia processar a informação. Nesse momento, os homens de terno caminharam para frente e agora estavam sob a iluminação do programa. A aparência deles não lembrava mais seres humanos. Seus olhos brilhavam, e suas armas começaram a disparar.

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