Lidos em março de 2026 - Recomendações e Resenhas




  Esse mês eu li pouca coisa de que não gostei, o que é bom, porque eu nunca listo o que eu não quero recomendar.

  Talvez, algum dia, eu ainda faça uma resenha negativa… mas esse dia não é hoje.

  Sem mais delongas, vamos ao lidos em março ^^



Recomendados


Galo de briga – HQ físico

  Turistando em Boituva com a família, resolvi visitar uma livraria em um shopping local. Entre diversas opções, uma HQ de capa dura me chamou atenção. Por apenas R$20,00, o quadrinho tinha ilustrações muito bonitas e um design premium. Fiquei curioso e fui pesquisar sobre o que se tratava. A sinopse me chamou atenção na hora. Era uma HQ que se inspirava em heróis clássicos da Era de Ouro — claro que eu tive que comprar.


  A história é simples, mas é bem legal, com ponto positivo para a sua abordagem. As ilustrações são muito bonitas, os personagens são interessantes e o blocking é profissional.

  É aquele tipo de leitura que você não bota muita fé, mas te surpreende.

  Sem sombra de dúvida, foi um achado e tanto!



A fonte Q - Dárcio Cintra

  Gosto de livros de mistérios (romances policiais) e, ao meu ver, parece que o gênero não é muito popular entre os escritores brasileiros. Por isso, é muito bom ver um escritor que dedica a vida a escrever histórias assim que se passam no Brasil e eu tenho muito orgulho de conhecê-lo.

  Quando o Dárcio me contou que a história da “Fonte Q” teria mais de um narrador e que o mistério abordava um tema bem diferente do que ele costuma escrever, eu fiquei curioso. E, no fim, a leitura foi bem mais acessível do que eu imaginava — o que é ótimo — pois ao entender que não seria um livro que desafia o leitor o tempo todo, eu pude curtir a leitura sem preocupações.

  Como de costume, embarquei no livro às cegas, sem saber nada de antemão e sem saber o que esperar. A escrita me prendeu, a aventura me abraçou e o mistério foi bem direto.



  A trama gira em torno de um evangelho perdido que pode mudar todo o entendimento da religião cristã (a famosa fonte Q) e por isso, quem possuir o documento pode acabar mudando o mundo.

  O livro flerta com o estilo noir, focando no mistério com uma boa dose de James Bond, Código da Vinci e Indiana Jones.

  No fim, entrega uma história intrigante, com um desfecho pé no chão e coerente com tudo que foi construído.

  Nem todo mistério precisa explodir a cabeça no final, alguns só precisam entregar uma boa viagem.



1984 em HQ

  A primeira vez que tentei ler 1984 foi um pouco tempo depois de ter lido A Revolução dos Bichos. Na época, achei a escrita chata e larguei, mesmo achando a idéia interessante. Anos depois, ouvi a história em audiobook, gostei e pensei: essa história ficaria incrível em quadrinhos ou em animação. E funciona mesmo.

  

Essa foi a segunda versão em HQ que li. Elas são um tanto quanto diferentes. A primeira versão que li ainda é a minha favorita, diga-se de passagem.

  A história como sempre é muito boa (ambas versões).

  Eu li essa versão por estar disponível no prime reading e recomendo muito para quem ainda não deu uma chance para essa história do George Orwell.




As artes são bonitas, mas peca um pouco no layout dos quadros, que muitas vezes é bem cru no que mostra para focar nos textos. Acredito que fizeram isso para conseguir contar a história toda.

A narrativa se mantém fiel ao livro e, em geral, a HQ vale muito a pena!




Eu mesmo sofro, eu mesmo me dou colo – Pedro Salomão

  Lembro quando li um dos livros do Pedro e percebi que tinha outras formas de escrever poesia. Até então, eu tinha uma visão mais engessada do que um livro de poemas deveria ser e não gostava muito disso.

  Percebi que poderia fugir dessas regras e poderia falar com o leitor com a minha escrita, com um jeito livre, leve e solto, que eu tanto gosto.

  Por isso, li este livro. Gosto da escrita do Pedro, também gosto dos seus poemas e da forma que monta seus livros. Ele é uma das minhas referências como poeta e autor, então fica a recomendação!

  Assim como os outros livros, aqui o leitor vai encontrar poemas e textos que se assemelham a uma conversa aberta.

  O autor se abre para falar sobre seus pensamentos da forma mais simples que consegue. A sua poesia é solta e facilmente conectável.



O Santo e a Porca – Ariano Suassuna

  Conheci o autor com videos no Youtube. Suas palestras são humildes e descomplicadas. Foi só depois que eu descobri que foi ele quem escreveu o Auto da Compadecida, um filme que gosto muito, então é claro que eu me interessei por ler uma de suas obras assim que tive a oportunidade.

  O livro é uma peça teatral, basicamente um roteiro com as falas dos personagens. 

  Como eu não tenho muito costume de ler peças, resolvi me aventurar.

  A minha experiência foi interessante. Confesso que fiquei meio perdido com a leitura no começo, mas depois peguei o jeito. Dá até para imaginar os personagens em cena, com seus trejeitos e falas rápidas.



  O Santo e a Porca, é uma história que conta mais do que aparenta.

  Na peça temos o que já é esperado do Autor, vemos encontros, desencontros e muitas confusões até que tudo se resolva no final.

  Acredito que o mais interessante na história é o seu final. Existiu, para mim, uma quebra de expectativa. No fim, a gente percebe que há coisas que não se podem consertar. Há vazios que não podem ser preenchidos.



Alice’s Adventures in Wonderland – Lewis Carroll

  Hora ou outra eu leio livros em inglês. É sempre bom para manter a segunda língua desenferrujada.

  Alice já estava na minha lista há algum tempo, mas enrolei para ler. Acho que acabei lendo neste mês pois estava escrevendo um conto de fadas moderno e queria algo parecido para ver se eu teria novas ideias e, também, para trocar de gênero e estilo de livros. Eu sou o tipo de leitor que gosta de variar o tipo de leitura, quando termino um livro e vou para outro bem diferente.

  No final, fiquei com vontade de rever o desenho da Disney, que eu só vi na infância e mal me lembro de como era.



  Alice é um livro maluco (no bom sentido) e bem interessante. A história é legal, mas começa e termina sem ter um objetivo certo. É uma aventura que simplesmente acontece. Não tem um grande arco, ou uma estrutura com objetivos definidos. Ela é o que é. E talvez essa seja a grande sacada, ela define a clássica “Não é sobre o destino, é sobre a viagem.”.



Sociedade do Cansaço – Byung-Chul Han



  Eu li este livro no mês passado e tive que reler de novo este mês.

  Gosto muito da reflexão feita sobre a nossa sociedade, mas confesso que se eu pensar demais nesse tema, posso entrar em depressão kkk

  Sinceramente, tenho medo de que esse livro continue atual por muito tempo. Ele revela o quanto estamos deixando de aproveitar a vida e de sermos seres humanos, estamos virando máquinas tristes e adoecidas.


  O tema aborda a nossa sociedade e o que ela tem se tornado com o tempo. O ser humano virou um escravo de si mesmo em nome do alto desempenho. A gente não consegue mais ficar um minuto parado e quando paramos, mesmo por cansaço, nos sentimos culpados, inúteis e insuficientes.

  Este livro nos mostra que estamos em um caminho sem volta e o pior, fomos nós mesmos que nos colocamos nele.





See You Web Cowboy!

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