Lidos em abril de 2026 - Recomendações e Resenhas



 Li bastante em Abril e, como sempre, aqui estão as resenhas dos livros que gostei de ler.


Pálido ponto azul — Carl Sagan — Pode valer a pena


  Talvez não seja mistério para ninguém o quanto eu gosto de ciências e o quanto eu sou curioso. O motivo que me levou a ler este livro — há mais de 3 meses — foi a minha vontade de aprender mais sobre algo que eu gosto tanto: o espaço.


  Desde que comecei a estudar sobre as sondas Voyagers — por pura curiosidade — eu percebi quantas questões interessantes sobre o universo ainda existiam na minha cabeça. Portanto, seria muito prudente da minha parte começar a ler um livro inspirado no dia em que a Voyager 1 fotografou o nosso pequeno e pálido ponto azul no sistema solar, chamado Terra (ou casa, para os íntimos).

  Pálido Ponto Azul vai além do momento em que uma pequena sonda espacial fez algo histórico. Seu conteúdo repensa a história da humanidade, os saltos tecnológicos, o inato espírito humano por exploração e até onde podemos ir.

  A leitura é bem pesada em termos de fatos científicos e especulações sobre tudo o que abrange missões espaciais, o universo e tudo mais. Portanto, mesmo que eu tenha adorado o seu conteúdo, este é definitivamente um livro para nerds. Ele não conta uma historinha. Também não é autoajuda e nem um livro didático, mas tem muito a ensinar.

  Assim como encarar o infinito céu escuro do universo pode ser assustador, este livro necessita de uma certa dose de coragem e resiliência.



Byung-Chul Han — A crise da narração / Sociedade da transparência / Infocracia



  Tenho que admitir: ler os textos do mano Byung virou parte da minha rotina. Os temas abordados são sempre interessantes, e o desafio de tentar compreender seu pensamento me ajudou bastante. Portanto, pretendo continuar lendo livros de filosofia sempre que possível, pois fazê-lo está se tornando parte da minha rotina.

  Não é mistério que gosto dos seus livros, pois já os recomendei diversas vezes aqui no blog. Pretendo continuar lendo e listando nas listas, mas, neste mês, não publicarei eles no formato das redes sociais. Afinal, estarei sempre lendo e o "cabra" possui muitos livros haha.

  Sobre os livros: é engraçado como todos os livros do Byung parecem extensões uns dos outros. Os temas se fundem e, de certa forma, também se repetem. Entretanto, não acredito que isso seja algo ruim; afinal, demonstra que o estudo da sociedade leva a pensamentos recorrentes. Além do mais, como os temas se entrelaçam entre si, isso significa que cada livro ajuda na compreensão do anterior.

  Infelizmente, não estou lendo eles em uma ordem específica, apenas escolho um e começo a ler. Então, não posso dizer qual a melhor forma de ler o autor e não tenho parâmetros para dizer o quanto isso afeta a minha percepção. Se alguém queria essa dica, foi mal ai, não sou o mehor para dizer.

  De qualquer forma, a maneira que enxergo o mundo acaba mudando quando começo a refletir sobre os temas abordados e o quanto a nossa sociedade está moldada em algo que dificilmente, poderá ser mudado. Acredito que a melhor coisa a se fazer é entender o mundo atual e se adaptar a ele, de forma que possamos atender às demandas modernas e, ainda assim, sobreviver.



Poemas Existenciais — Emily Dickinson — Pode valer a pena


  Como poeta, eu já ouvi falar sobre a grande influência da Emily Dickinson na poesia clássica, motivo pelo qual me interessei por sua obra.

  A sua história é bem interessante: uma mulher apaixonada por poesia, que passou a vida escrevendo poemas em cartas e as enviando para outros escritores. Emily nunca teve a ambição de ser famosa, o que demonstra em diversos poemas. Entretanto, a fama que tem atualmente ela merecia ter tido em vida.

  Li o livro traduzido em português, mas também pesquisei alguns dos seus poemas na escrita original e alguns estudos sobre os mesmos. O que eu mais gostei na sua escrita foram as metáforas. O que eu menos gostei foi o ritmo. Sua escrita é bem diferente do que estou acostumado, mas o desafio de aprender a ler seus poemas e a estudar o seu formato foi, para mim, muito válido.

  Acredito que os poemas da Emily ainda se mantêm muito atuais e contemporâneos. A sua escrita é carregada de sentimentos e de metáforas — particularmente, adoro elas — mas senti falta de rimas (minha preferência), além de sentir uma certa dificuldade para me acostumar com a sua escrita. Entretanto, uma vez que consegui entender o seu ritmo, a leitura começou a fazer mais sentido.


Hamlet — William Shakespeare — Pode valer a pena


  Quantas vezes eu já ouvi falar sobre a importância desta obra e o quanto Hamlet, de William Shakespeare, ainda é influente. Portanto, eu precisava dar uma chance para esta obra. Entre trancos e barrancos, desgostos e gostos, consegui — felizmente — ler até o fim.

 


  Comecei a ler a obra no inglês original e, infelizmente, eu estava aquém do nível necessário para ler essa obra assim. Além do inglês da época ser muito complicado, a forma que os personagens falam e o formato de peça acabam agregando para a barreira desta leitura. Portanto, mesmo querendo ler o texto original, tive que me afastar do desafio por hora e me contentar com a tradução. É claro que não desanimei e não desisti completamente. Precisei apenas mudar o percurso e tentar uma estratégia diferente.

  Para me acostumar com o formato de peça — do qual não leio desde os meus tempos de ator amador — fui ler O Santo e a Porca, do Ariano Suassuna, do qual comentei nos lidos de março. Com isso, acostumei com o estilo de leitura e pude partir para a segunda parte do plano: ler Hamlet em português. Foi assim que consegui terminar a leitura e apreciar esta obra.

  Confesso que ler e imaginar uma história que não dispõe de narração e descrição de cenas acaba sendo um desafio e tanto para a interpretação. Além, é claro, dos diálogos muito enfeitados dos personagens, que podem muitas vezes dificultar o entendimento e afastar este mero leitor do século XXI, que se acostumou com brevidades e conversas muito diretas. Porém, entretanto e todavia, a história em si é fantástica!



  Quando terminei de ler, fiquei lembrando o quanto ouvi compararem uma das minhas séries favoritas com a obra; no caso, estou falando de Sons of Anarchy. É inegável a inspiração e os temas abordados na série. Além disso, o conflito interno de Hamlet é muito intrigante, tal como as consequências que acontecem após a mudança da sua postura e a forma como o protagonista era visto perante os outros personagens.

  Hamlet é uma obra atemporal, não em escrita, mas em conceito. O conflito interno do personagem principal e as consequências são ouro puro da literatura. O formato e a linguagem podem afastar muitos leitores, mas fico feliz em conseguir terminar de ler a obra apesar da dificuldade. A história tem muito o que falar, porém não é uma leitura para qualquer um.


Cobaias — Fernanda Frankka — Pode valer a pena



  Acho muito interessante como podemos conhecer novos autores pela internet hoje em dia. A Nandinha é uma escritora independente, esforçada e muito querida, que tive o prazer de conhecer através do Threads. Por isso, um dos seus livros estava no meu radar há algum tempo.

  Cobaias é um livro distópico que se passa no Rio de Janeiro. Após uma epidemia causada por uma “arma biológica”, a protagonista precisa sobreviver e resolver o que deu de errado.

  Achei a premissa interessante e sempre me pareceu uma das obras mais bem avaliadas da autora. Como eu não sou fã de romances, esse foi o título que mais me chamou a atenção. O conceito com certeza é o ponto alto da experiência. A história me lembrou Resident Evil, mas não conseguiu me fazer apegar aos personagens.

  Ainda assim, a história é legal e acredito que o público certo pode acabar amando.


Encruzilhada: Lua em Chamas — Deives Gabriel Ferraz — Recomendo



  Quando o Deives disse que os livros da série Encruzilhada tinham uma vibe de Arquivo X, ele estava certo! Este é o meu segundo contato com a escrita do autor e fico muito contente em ver uma clara evolução na sua escrita. De fato, essa série parece ser o carro-chefe de Deives até o momento.




  Com mistério, investigações e humor, esse livro tem uma pegada de X-Files com Supernatural. A criatura da vez é o lobisomem (a capa já entrega), mas a forma que a investigação se desenrola é o grande trunfo da história. É, simplesmente, muito interessante acompanhar as possibilidades que o livro vai entregando aos poucos.

 
  Porém, vale mencionar que o livro foge do tradicional e que muitas coisas inesperadas acontecem aqui, o que faz parte do humor do livro. Algo que achei bem interessante!




Copywriting: o guia definitivo para transformar palavras em ouro — Jim Edwards — Recomendo



  Estive lendo esse livro aos poucos ao longo de alguns meses. Finalmente o completei.

  Na obra, Jim detalha as lições que ele aprendeu em mais de 20 anos de experiência vendendo produtos online e trabalhando com copywriting de anúncios. De fato, suas lições são ouro.

  O livro contém diversas dicas sobre a escrita de anúncios, vendas e sobre o marketing digital. Acredito ser uma leitura quase essencial para qualquer profissional da área, mas que também pode ajudar muito quem procura dicas para vender seus produtos.


O gato que amava livros — Sosuke Natsukawa — Recomendo



  Fui ler o livro sem saber muito sobre o que se tratava. O pouco que li na sinopse tratava o livro como uma leitura leve que falava sobre o amor aos livros. Como eu só queria ler algo leve e tinha a impressão de que este livro tinha cara de famoso (eu nem sei se é), decidi dar uma chance.

  E puxa, se me falassem que o livro se tratava de uma aventura com um gato falante que faz um garoto o acompanhar para salvar livros em outro mundo, bem ao estilo de narrativa dos estúdios Ghibli, eu já teria lido esse livro bem antes.




  O formato dos capítulos e as missões episódicas me lembraram uma história de mangá. Não sei se isso tem alguma coisa a ver com como a literatura japonesa e o formato das suas narrativas estão ligados, se foi apenas uma impressão minha ou se foi proposital. No fim das contas, funcionou comigo.

  Após perder o avô, um garoto acaba herdando e cuidando da sua livraria. Até que um dia um gato falante aparece e o convida a ajudá-lo em uma missão para salvar livros aprisionados em outro mundo. A aventura se desenrola de forma leve, onde o amor por livros e por leitura são as grandes forças para a transformação interna do personagem.

  Os conflitos são muito interessantes. A leitura é leve e flui como água. Terminei o livro em quatro dias.


O invasor venusiano — Larry Sterning — Recomendo



  Achei esse conto nas minhas buscas malucas no catálogo da Amazon. A capa me remeteu a um sci-fi dos anos 70–80 e isso me deixou curioso. De fato, é um conto antigo. Seu formato é o famoso pulp fiction, que eu gosto bastante. Não conhecia o autor e muito menos a obra. Foi um achado (do jeito que eu gosto)!

  Uma história sci-fi que parece um episódio de televisão (Star Trek, talvez), com um enredo simples, mas direto ao ponto, que carrega um suspense digno da era de ouro. Mostrando que não é necessário muita enrolação para construir um bom mistério em mundos longínquos.



O menino de Fogo: um conto de Natal — Mila Gasparetto — Pode valer a pena



  Atrasei só uns 4 meses para ler essa história de Natal, mas valeu a pena. 

  Antes de começar o livro, a autora já avisa que foi escrito pensando em uma linguagem abrangente. Portanto, seu público-alvo é livre. Mas a minha recomendação pessoal será destinada ao público infantil, pois acredito que este é um livro que funcionará melhor com eles.

  A minha percepção de adulto é que a trama é bem previsível. Entretanto, não acho que em nenhum momento a proposta foi diferente; por isso, ela cumpre o que promete e eu sempre valorizo isso! Por isso, afirmo que a história pode funcionar com crianças, pois elas não vão ficar procurando lógica e esperando mais do que o necessário (como o velho aqui normalmente faz). Isso também não tira o mérito da sua leitura rápida e leve, que pode ser perfeita para quem procura isso.

  O espírito do fogo pede para o Papai Noel lhe transformar em uma criança, com o objetivo de substituir o filho perdido de uma família por um dia — um milagre de Natal. O espírito do frio eterno, por outro lado, quer acabar com o espírito do fogo. E, para isso, ele precisa descobrir o verdadeiro nome do seu rival.

  Uma história interessante para ler para um filho. A leitura é rápida e o final é confortante.



Bom, essas foram as leituras que eu quis destacar nesse mês. Deixei pouca coisa de fora.

Espero que tenham gostado.

See You Web Cowboy!


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