Julho, até então, foi o mês que tive mais decepções do que alegrias em minhas leituras.
Mas, como é de praxe, sempre tento focar no lado positivo e compartilhar a melhor parte com os meus leitores :)
Então, bora focar no que eu quero comentar com vocês.
Um conto de Natal (versão ilustrada) — Charles Dickens
Continuando na minha saga de aprender a ler o famoso Charles, decidi por influência do Diego do @quasetudoisso ler esta lendária obra natalina. Isso mesmo, li esta história em julho — dá para notar que tenho muito espírito natalino, né?!
Antes de falar do livro e da sua história, algo do qual pensei bastante enquanto lia foi sobre a minha experiência prévia com a obra. Eu sabia que existiam filmes adaptando a história, mas não me lembrava de ter assistido nenhum deles. Nem mesmo aquele com o Jim Carrey (que agora está na minha lista). Porém, como li uma versão ilustrada do conto, os personagens humanos foram substituídos por animaizinhos. O que, particularmente, não me afetou em nada para compreender a história e os seus personagens. Entretanto, isso me remeteu a uma memória antiga de que eu já teria visto uma adaptação da Disney. Tive que pesquisar e fiquei feliz em não ser só coisa da minha cabeça.
Estava na metade do livro quando decidi assistir o curta da Disney. Foi muito interessante ver o tio patinhas no papel do rabugento e mão de vaca Scrooge. A animação segue sendo muito boa, mesmo tendo mais de 40 anos. Inclusive, descobri posteriormente que o personagem do tio patinhas foi inspirado no protagonista do livro e até possui nome semelhante no original.
No começo do livro é citado que Charles Dickens lia e narrava em voz alta para as pessoas. Até as crianças prestavam atenção. Com esse conhecimento em vista, compreendi completamente a forma de como a história tinha intenção de ser lida, e isso me agradou bastante.
Sua estrutura é linear e bem simples de entender, algo que eu gosto muito. Também é fácil de entender os personagens, a ambientação e o objetivo do livro.
Conclusão
A clássica história de um homem que não se importa com ninguém além do seu dinheiro. Quando vislumbra o passado, o presente e o futuro da sua vida, consegue perceber o quanto que ele é infeliz e o quanto pode ajudar a quem precisa.
Um livro que sobrevive ao tempo por causa da sua tão bonita mensagem e a sua estrutura simples. Recomendo para toda a família!
O menino que descobriu o vento — William Kamkwamba
Eu adoro descobrir um livro por ele mesmo, sem consultar sinopse ou opiniões prévias do seu conteúdo. Claro, pesquiso quando acredito ser necessário, mas a experiência de ler um livro sem saber de nada é, para mim, como encontrar um tesouro desconhecido.
Não lembro se já havia ouvido falar sobre esta história antes, porém, o título e a capa me chamaram a atenção. Com isso, iniciei a minha leitura.
É interessante que, logo no começo, o protagonista já revela o momento em que seu moinho de vento funcionou pela primeira vez. Isso me fez ler o livro pela curiosidade de entender a sua jornada e não pelo mistério de onde ele chegaria.
Um pouco depois de iniciar a leitura, comentei com os meus pais sobre a história e eles me disseram que tinha um filme com esse mesmo nome. Achei intrigante, pois não me lembrava de ter ouvido falar dele. Como o livro é uma autobibliografia, eu tive que pesquisar um pouco mais sobre a época em que ela se passava. Me surpreendi com a época em que a história acontece, parecia ser algo da década de 80 mas, na verdade, aconteceu por volta de 2002. O que não é tão distante, porém, mostra o quanto que a situação da cidade de William era precária em tecnologia e desenvolvimento (comparando com a minha experiência de vida). Isso me fez simpatizar muito com a resiliência do garoto e a sua história. Inclusive, foi impossível não comparar com o cotidiano de muitos lugares no Brasil.
William conta como que era a sua vida, o trabalho de plantação, como a sua família fazia para sobreviver, como ele via os estudos e como ele aprendeu sobre elétrica e os moinhos de vento.
É uma jornada que mostra passo a passo do seu aprendizado e ensina a gente também.
Conclusão
A história de William, além de interessante, também ensina muito sobre a sua cultura. Gostei muito da forma que os eventos foram narrados, como ele falava do seu aprendizado, dos testes que fazia e de como encarava o mundo.
Um livro contagiante, que fala sobre curiosidade, ensina que para fazermos diferença precisamos ignorar olhares que não nos entendem e não podemos desistir de aprender.
O meu pé de laranja-lima — José Mauro de Vasconcelos
Muito ouvi falar sobre este livro — mais como o quanto ele ficou famoso no Japão do que sobre a sua história.
Talvez, ele seja considerado um clássico brasileiro, porém, mesmo tendo gostado de alguns momentos da história, não achei o livro tão bom quanto ouço falar. Não me entenda mal. Ele tem, sim, seus pontos positivos. Porém, na minha opinião, alguns pontos ficaram a desejar.
A sua escrita carrega uma certa magia, ela parece infantil com cabeça de adulto. Também consegue transparecer a sua época e as suas raízes. Mas, carece de uma estrutura que sabe onde quer chegar. Parece que o livro é apenas um amontoado de memórias sendo contadas. O que não é ruim, entretanto, é como uma viagem sem rumo. De vez em quando tem algumas paradas marcantes, mas a gente nunca sabe para onde estamos indo. E, quando chegamos, não sabemos por que viajamos.
Essa parte da estrutura pode acabar sendo ignorada por muitos leitores, e eu até concordo que os pontos altos da história conseguem fazer a gente deixar isso passar. Mas, para um livro tão aclamado, isso, para mim, afeta um pouco a forma que eu o encaro. Mesmo assim, a leitura foi uma viagem bacana.
É curioso o quanto que o autor mescla sua história de vida com a do personagem. Pelo pouco que pesquisei, parece que a obra é quase bibliográfica, porém com bastante liberdade poética.
A alma da história está em entender a vida do personagem e como seus sentimentos foram sendo construídos. Ela é muito emocionante por causa das relações tão humanas que apresenta.
Ah, sobre o pé de laranja-lima: percebi que ele é o porto seguro do garoto. Sendo, por falta de opção, seu melhor amigo e o único com quem ele pode se abrir verdadeiramente, pois não o discrimina e não o julga. Também parece que representa a gente, pois é quem “ouve” a história contada pelo menino.
Conclusão
O livro conta o passado de um garoto muito novo e muito pobre que, por se sentir desprezado pela família, acaba se envolvendo em confusões e experimentando a vida com os próprios termos.
Com momentos e personagens marcantes, a narrativa gera curiosidade pelo seu tempo e pelo protagonista tão novo, mas que sente o mundo como um adulto.
Recomendo para quem quer chorar.
Encruzilhada: Corpos Flutuantes — Deives Gabriel Ferraz
Para quem já acompanha as minhas listas de leitura, deve reconhecer o título dessa série de livros.
Assim como eu, Deives é um autor nacional e independente que também escreve mistério e terror. Para falar a verdade, acredito que as nossas referências até que são bem parecidas.
Como sou um cara diferenciado, comecei a ler a série dele pelo segundo livro kkkkk Pelo menos, agora eu já posso dizer que li a saga inteira — até ele lançar mais.
Neste livro vamos acompanhar investigadores brasileiros em um caso de corpos que apareceram na beira de um rio. Confesso que fui pego de surpresa quando descobri que a trama era sobre sereias, ainda mais pela capa atual (imagem) me fazer pensar em abdução de alienígenas — qualé, o nome também contribui.
Como eu já conhecia a ideia da série e a escrita do Deives, li este livro tranquilo, sem pensar muito, quase como se estivesse vendo um episódio de Arquivo X, após já ter maratonado umas 2 temporadas. A minha experiência foi muito bacana, como esperado.
Vale destacar que o segundo livro, Lua em chamas, ainda é o meu favorito do autor e, ao meu ver, novos leitores podem começar a leitura com qualquer um deles. O que é ótimo, quase como ver um episódio de uma série de televisão ao acaso e acabar descobrindo um vicío novo.
Conclusão
Corpos mutilados são encontrados à beira de um rio. Um restaurante de elite pode estar envolvido com a venda de algo exótico. Os investigadores precisam encarar que sereias existem… ou fazer justiça de outra forma.
Uma história episódica, com bom humor, atmosfera intrigante e uma lenda bacana. Recomendo para quem gosta de folclore e procura algo como um Arquivo X brasileiro.
E por este mês, é isso. Espero que tenha gostado...
See You Web Cowboy!
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