No Papel não tem Ctrl + Z — Caderno de escrita #01


Caderno de escrita #001 

No Papel não tem Ctrl + Z 

Às vezes, a extrema velocidade em que funcionamos no mundo digital pode ser assustadora. Os poderes tecnológicos — mesmo para a escrita — podem nos afastar da natureza da arte e quiçá, de nós mesmos. Claro, não vou reclamar dessas capacidades absurdas e das possibilidades que um computador oferece, afinal, é por causa dela que eu consigo conectar a minha escrita com incontáveis pessoas em qualquer lugar do mundo. E, para um escritor, isso é quase como sentir o sabor da eternidade.

Como tenho estado mais focado do que nunca em exercer o chamado do destino para a arte da escrita — e tenho evoluído muito —, decidi fazer um novo experimento e começar uma série de artigos que serão escritos previamente no meu caderno de notas físico. Ou seja: assim como os nossos “ancestrais”, vou me arriscar a caçar textos na selva da minha mente e a transportá-los para o papel apenas com a minha arma, a minha cara e a minha coragem…  Depois vou transcrevê-los para o digital, porque é assim que o mundo atual funciona hahaha.


Vale lembrar que a transcrição não terá edição. A escrita no papel será apresentada da forma como foi concebida.

Eis a escrita:

15/10/26

Estou dando início ao meu caderno de escrita sobre escrita. Ainda não sei como vou chamá-lo ou como desenvolvê-lo. Só sei que quero voltar a escrever e anotar em papel de verdade, depois vou transportar — ou tentar traduzir a minha letra para o computador, a fim de digitalizar e compartilhar a minha experiência com os leitores (e outros autores).

A minha primeira decisão foi de fazer algo pessoal que pudesse acrescentar algum valor ou experiência para quem for ler.

A minha segunda decisão foi seguir o meu próprio conselho e só começar sem pensar ou planejar muito, apenas dar o próximo passo.

A terceira decisão foi usar lápis, essa porque não estou muito confiante de usar caneta. Acredito que tem a possibilidade de consertar um erro — mesmo que eu não precise (se bem que eu acabei de usar logo após pensar nesta frase) — me deixa mais tranquilo. É como ter rodinhas de segurança em uma bicicleta quando estamos aprendendo a andar nela.

Parando para pensar: escrever no computador é como nunca tirar as rodinhas. Além dos super poderes como voltar no tempo, correção automática, espaço infinito, transmutação instantânea e localização telepática.

Confesso que dei uma leve travada depois da analogia. Como eu disse antes "não tenho nada planejado ainda, estou dançando conforme as batidas do coração". Estou seguindo o freestyle da escrita nos jardineiros — Por enquanto. Mesmo sem saber qual vai ser o destino desta escrita, a experiência de estar desenvolvendo no papel é muito bacana. É como fazer o seu próprio bolo sem usar máquinas sofisticadas por isso, então todo o processo tem que ser na mão de forma rústica — menos a parte de assar o bolo, aí eu vou usar, pelo menos, uma fogueira.

Para ser bem sincero, acredito que só de já ter começado esse projeto (que estava há muito tempo preso na minha mente) já é um sucesso. Isso já cumpre com um das minhas filosofias, ensinamento e objetivo. Então, de fato, estou escrevendo aqui, já ensina e exemplifica o que eu queria. Também me ajudou a enxergar o quanto evoluí em construção de texto e na escrita — exceto na letra.

Preencher as linhas deste caderninho e brincar de encaixar as palavras como se fossem bloquinhos nos espaços, é realmente algo mágico.




























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